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A atual crise que o país atravessa possui inúmeros elementos de complexidade. Mas em sua essência ela exacerba o dilema que se impõe diante da nação por séculos: construir um país soberano, com um projeto de desenvolvimento que garanta seu papel de protagonista no mundo e justiça social para sua população, ou uma nação sem rumo, com suas riquezas naturais saqueadas e seu povo jogado cada vez mais em conflitos oriundos da perpetuação das desigualdades sociais e regionais.

Entretanto, a sociedade brasileira, especialmente os chamados setores médios, foram capturados no último período por uma “armadilha” do ponto de vista da luta de ideias. Os setores dominantes, através da grande mídia e do pensamento hegemônico emprenhado nas estruturas do Estado, difundiram uma concepção simplista da realidade, como se fosse uma venda nos olhos da sociedade que a permite enxergar o mundo apenas sob a ótica penal e anticorrupta.

A sensação de que a corrupção é o maior, talvez único problema do país, ou que todos os demais problemas do país serão resolvidos por meio de um sistema punitivo cada vez mais rigoroso, vez ou outra, entra em cena para desviar a percepção da população dos interesses em disputa na sociedade. Ela criou e cria condições políticas para derrubar governos, bem como tira do centro do debate público questões de interesse nacional.

Esse instrumental serve para boicotar o desenvolvimento do país, destruir empresas de capital nacional, criminalizar lideranças e setores da sociedade. No atual estágio da crise tal visão cria condições para saídas que não necessariamente passem pela política. Afinal, um dos desejos do grande capital na crise do capitalismo é abolir os intermediários no controle dos Estados nacionais.

A corrupção deve ser combatida e não pode ser naturalizada, lições do atual processo podem e devem ser retiradas para impedir práticas de corrupção já conhecidas. Mas não se deve inverter a racionalidade, a corrupção é uma manifestação humana fruto de como o homem se organiza em sociedade. Existem formas que a favorecem e outras que dificultam sua presença. Não devemos ter dúvidas que as relações de uma sociedade baseada na exploração do trabalho e da miséria gerará sempre condições para pratica de corrupção dentro e fora do Estado.

É preciso compreender que não é a luta contra a corrupção que move as sociedades. Pelo contrário, só a luta pela transformação da sociedade, por uma alternativa ao capitalismo, pode criar condições melhores para o combate de tal prática. No mesmo sentido, os interesses de um país, seu destino no mundo não pode ser encarado de forma secundária. Essa é uma grande armadilha para capturar o Brasil e seu povo.

Lindinaldo Freitas
Lindinaldo Freitas
Estudante de economia, ex-diretor da Ubes, ex-presidente da UJS Alagoas, atual presidente do PCdoB de Alagoas.

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