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O país segue arrastado por uma crise, alguns dizem multifacetada por ser política, das instituições da República, econômica e social. Mas, há que se observar o momento em que vivemos compreendendo o sentido estrutural dessa crise. Em última instância, trata-se do dilema histórico entre o Brasil se afirmar enquanto nação, com valores, cultura e rumo próprio, ou abdicar de seu papel no mundo, de sua existência enquanto nação soberana.

As reformas e medidas defendidas pelo atual governo, sem nenhuma legitimidade popular, destacam-se por seu forte conteúdo antinacional, por retirar direitos de milhões de brasileiros e desfigurar o caminho que o país, entre idas e vindas, buscou trilhar até aqui.

Há uma evidente e até burra inversão de prioridades. O equilíbrio fiscal não é o fim de um Estado nacional, trata-se de um instrumento, um meio. Não se desconstrói o papel do Estado, de suas empresas, bancos e demais instituições estratégicas ou retira-se direitos da população apenas para buscar equilíbrio fiscal.

O Brasil possui o quinto maior território e a quinta maior população do planeta. De norte a sul encontram-se riquezas invejáveis, a maioria inexploradas. Queiram ou não, um país com tais características possui um papel gigantesco no mundo. Daí o dilema: ser uma potência ou se tornar um balcão de negócios.

O equilíbrio fiscal do Estado é parte de um projeto de país e a ele deve servir. O Brasil reúne as condições de se tornar uma nação desenvolvida, rica e com um povo rico. Não há um caminho justo para o Brasil que exclua seu próprio povo. O inverso disso é a negação do país, a entrega de nossas riquezas, o caminho de um país submisso, envolto em conflitos sociais, com uma elite extremamente rica e a maioria do povo pobre.

A reforma da Previdência Social é um grande e terrível exemplo dessa questão. O debate fiscal se sobrepõe ao sentido da existência da própria previdência, não se compreende o significado e o valor de ligação e pertencimento nacional existente em um sistema que protege aqueles que durante décadas dedicaram suas vidas e trabalho para construção do país. Mesmo o argumento do déficit já ter sido largamente demonstrado falso, devemos entender que um povo e uma nação não são apenas números.

O Brasil precisa urgentemente reencontrar seu caminho, trilhá-lo com a consciência que pode e deve inserir-se no mundo com seus valores, características e interesses próprios.

Lindinaldo Freitas
Lindinaldo Freitas
Estudante de economia, ex-diretor da Ubes, ex-presidente da UJS Alagoas, atual presidente do PCdoB de Alagoas.

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