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Desde 2013 vem ? tona uma grave crise multilateral que vive o País, especialmente com a eclosão das grandes manifestações de rua que tomaram conta da nação, incentivadas pela grande mídia monopolista associada do Mercado financeiro global.

Mas a seríssima crise política, que cresceu e avantajou-se desde lá, reflete também os crônicos problemas estruturais que se acumulam no Brasil, quer seja no âmbito da economia e todas suas variáveis, quanto nas graves questões sociais.

Assim, sem a perspectiva, por parte das elites políticas, de um caminho que contemple um projeto de nação abrangente, tanto em relação ? s grandes maiorias sociais quanto ? resolução dos rumos essenciais, o País, fragilizado, com uma população de mais de 200 milhões de habitantes, vê-se dividido, como dizia Machado de Assis, entre o Brasil oficial e o Brasil real.

O Brasil oficial compreende parcelas da população que se estendem das classes dominantes ? classe média e mais alguns estratos esclarecidos, infelizmente descolados do Brasil real.

O País real é o Brasil profundo de quase 200 milhões de habitantes que, embora avaliados em pesquisas de opinião pública, continuam não sendo protagonistas das suas vidas, do seu destino político como cidadãos brasileiros, em uma nação profundamente desigual e socialmente injusta. Um dos fatores da crise atual é esse abismo entre as elites, em geral, e as verdadeiras aspirações do povo brasileiro.

Imerso em gravíssima crise econômica, ? mercê dos interesses do capital financeiro internacional, do rentismo parasitário, dos objetivos das grandes potências, de um governo Temer sem qualquer legitimidade, a nação patina no limbo da desorientação pela ausência de um projeto factível que proponha rumos ao conjunto dos brasileiros.

A crise multilateral que vivemos resulta também da nova realidade geopolítica mundial, além das consequências danosas da globalização financeira que atingiu a nação em cheio em pouco mais de duas décadas, desnorteando a perspectiva dos povos, assim como o Brasil.

A crise política reflete essas enormes disfunções onde a incontornável e insubstituível luta democrática precisa ser associada a um novo projeto nacional de desenvolvimento estratégico que galvanize perspectivas e esperanças, tanto materiais como espirituais, para o povo brasileiro.

Eduardo Bomfim
Eduardo Bomfim
Alagoano de Maceió, advogado, foi Deputado Estadual de Alagoas (83-86), Deputado Federal Constituinte (87-91), Vereador de Maceió (93-96 e 99). Desenvolveu funções de governo como Secretário de Cultura na Prefeitura de Maceió (97-98 e 2009-2010) e no Governo de Alagoas (2003 e 2005-2006), foi Secretário Adjunto da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República do Brasil (2004-2005). É dirigente histórico do Partido Comunista do Brasil.

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