Tributo aos 80 anos de Alba Correa: Uma história de luta pela liberdade

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Por Terezinha Almeida

Eram os anos de chumbo. Entre tantas mulheres de luta , uma professora me chamava à atenção pela sua coragem, altruísmo e saber. Eu sabia de sua história de luta pela democracia, liberdade e direitos humanos, mas não muito, porque uma cortina nos separava do passado dos camaradas e companheiros que empunhavam as bandeiras dos ideais do povo brasileiro em busca de um novo tempo e da reconquista de uma sociedade com menos desigualdades, naquele momento histórico em que vivíamos.

Os anos passaram e aos poucos fomos nos conhecendo, Alba Correa revelou-se um verdadeiro ícone, uma espécie de farol e norte para várias gerações, como legítima defensora dos direitos fundamentais, tendo como principais campos a a educação, a libertação da mulher e da classe trabalhadora. Na academia, no sindicato, na praça, no campo e nas tribunas, lá estava ela, no seu discurso sereno e coerente, sempre ao lado dos oprimidos , do ético e justo e acima de tudo do que era melhor para o povo brasileiro.

Em tempos de tormenta ou de calmaria, nunca fugiu dos ideais socialistas, nem arrefeceu seu compromissos e abnegação aos princípios do Partido Comunista do Brasil, partido no qual milita até os dias de hoje.

Muito aprendi com sua convivência, com sua prática, sempre, articulada com as teorias de Marx e Lênin e de nossas referências nacionais, como João Amazonas, Maurício Grabois, Elza Monerat, Diógenes Arruda, entre tantos outros.

Nos anos mais duros e sombrios figurou entre os fundadores da Sociedade dos Direitos Humanos de Alagoas e da União das mulheres de Maceió, além de ter sido Presidente da APAL e da ADUFAL em mais de uma gestão. Enveredou muitas vezes nos rincões de Alagoas, em regiões dominadas pelo coronelismo, fundando associações de mulheres, de moradores e fortalecendo a luta sindical.

Foram muitas madrugadas insones, muitos embates de ideias, muita diplomacia na bordar da unidade, no polimento das arestas, na costura de bandeiras e na construção de projetos, cujos objetivos eram sempre os declinados, anteriormente, em benefício dos explorados , marginalizados e injustiçados pela classe dominante.

A juventude no front, as horas de sono e lazer perdidas, o convívio familiar subtraído, não fizeram de Alba Correa uma mulher fragilizada, ao contrário, ela permanece forte, jovial e vigorosa e costumo compará-la a um carvalho na imponência e ao bambu na resistência. Os ventos sopram forte, as tempestades castigam, mas ela como o bambu, na sua leveza, verga, resiste, porém não quebra, e surge, depois, altiva tal o carvalho, e como uma eterna guerreira, empunha a bandeira de nossos ideais.

1 Comentário

  1. Rafaela disse:

    Enche meu coração de orgulho, admiração e respeito por essa mulher sem igual, ter passado em minha vida e deixado sua marca. Agradeço ao Grande Pai Celeste pelo dom da sua vida e pelo dom que tens em cativar, instigar, despertar as pessoas. Amo essa guerreira que em tempos foi professora, em outros foi uma mãe, um amuleto, um ombro, uma amiga, um dedo apontado para o bem. Homenagem mais que merecida. Grande Abraco, da sua baixinha Rafaela.

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