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Minha autoestima está rente ao chão, e há mais tempo, do que Neymar “Cai-Cai” Jr esteve deitado nos gramados durante a Copa do Mundo da Rússia. As dores d’alma, resultantes dos constantes sopapos sofridos que a levam à sola dos pés, é que são imensamente diferentes. Uma, decorre da tristeza pelo que hoje sofrem meu país e seu povo; a outra, mero exercício teatral canhestro de “menino” milionário-mimado. Ambos, entretanto, saem menores da Copa.

Força do estado de espírito cabisbaixo, confesso que só vim a me interessar pelos jogos do Brasil quase à beira da (cada vez mais) patética transmissão galvaniana. E aí fui levado a recordar, então, a cantada e decantada orla litorânea de minha cidade — em tempos não tão passados prenhe de camisas verde-amarelas da CBF, orgulhosamente envergadas por numericamente significativa parcela de sua sociedade —, agora delas desnudada, impressionantemente desnudada, o que me fez refletir, às vésperas da (fraca) estreia da seleção brasileira, acerca do novel sentimento a mantê-las agora em seus respectivos guarda-roupas. Indiferença, pessimismo, desânimo? … Mistério.

Claro que como por encanto de novo tornei-me torcedor da seleção, até porque não adianta a consciência de seus símbolos e do que representam (CBF, corrupção e similares), tampouco a situação política, econômica, financeira, patrimonial e social sombria que por aqui se encarnou: naqueles momentos mágicos, que duram o tempo de sua permanência no torneio, torço mesmo é por meu país, e o faço inabalável, renitente, esperançoso e incondicionalmente. Nélson Rodrigues, para muitos o maior cronista de futebol de todos os tempos, desse-me a honra de ler este parágrafo decerto saberia explicar o que é esse sentimento que se renova de quatro em quatro anos e toma de (bom) assalto a nação.

Não fui, entretanto, à Rússia. Como não fui aos gramados brasileiros na Copa no Brasil. Ainda bem. Àquela, primeiro, porque não iria com a mesma autoestima que me enchia de orgulho de ser brasileiro quando lá estive há cinco anos, oportunidade em que pude me deparar com um país lindo, limpo, de um povo educado e gentil — estranhamente o oposto do que me dizia o preconceito difundido por cá; segundo, assisti depois, porque sofreria invencível vergonha de ser confundido com os patrícios (argh!) idiotas e mal- educados que tomaram de (mal) assalto aquele país, protagonizando cenas de machismo que nos levaram às cordas da civilização mundial. À realizada no Brasil, porque seria obrigado a conter a revolta, mas não teria o mesmo sucesso para represar os vômitos e a vergonha alheia de que seria irremediavelmente acometido houvesse testemunhado o espetáculo de misoginia, baixaria, machismo e extrema burrice protagonizado (perdão
pela redundância) — também pelos meus patrícios (argh!) — na festa de abertura daquela Copa. Assim, melhor mesmo ter escolhido me aquietar por aqui.

Desejei, muito, fossemos merecidamente agraciados com o hexa. Menos pelo futebol brasileiro, em si. Mais, porque a alegria e o orgulho que dele adviria poderia nos ajudar a sair dessa pasmaceira em que nos vimos. Fazer voltar a esperança. Ou, como prognosticaria o famoso psiquiatra, o tesão. Não deu.

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