Hugo Cavalcante: Menos Moro e mais Previdência

PCdoB Alagoas: A luta não acaba aqui!
outubro 29, 2018
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Analise de acontecimentos pós eleição de Bolsonaro

Passada a eleição presidencial de 2018 e com uma triste derrota do campo da esquerda nacionalista, dos movimentos sociais e setoriais para a direita armamentista, evangélica, financeira e empresarial não pretendo aqui fazer balanço, mas analisar o turbilhão de notícias e pautas postas pelo presidente eleito e sua equipe, bem como dar minha opinião sobre o rumo da resistência democrática frente a onda de pautas conservadora que está por vir.

É preciso, nesse momento de avalanche de pautas, saber distinguir quais batalhas precisam ser vencidas e quais são periféricas para a manutenção do estado democrático e de bem estar brasileiro para centrarmos fogo onde de fato é importante e onde podemos reverter essa maioria da população brasileira que hoje está do outro lado. Dentre o apanhado de notícias e pautas colocadas destaco três que são centrais nesse primeiro momento de ímpeto conservador:

1- Projeto escola sem partido– Coloca uma grande nuvem sobre os profissionais da educação, porque deixa as fronteiras do que seria legal ou ilegal turvas e será usado na pratica para atacar professores de esquerda nas faculdades e colégios Brasil afora, mas o projeto vai além disso, pois ao dizer que o professor “não permitirá que os direitos assegurados nos itens anteriores sejam violados pela ação de terceiros, dentro da sala de aula”; ele também pode criminalizar o professor que autorizar o movimento estudantil a entrar em sala para discutir com suas bases.
2-Alterações na lei que tipifica o terrorismo– Enquadra toda a ação do movimento social urbano e rural (muito além do MST e MTST) como terrorismo, porque se aprovado, por exemplo, um sindicato que ocupe uma sede da secretaria da fazenda cobrando ou estudantes que fechem ruas na luta por educação serão igualados a terroristas com penalidades severas sem direito a fiança, destacando aqui a prisão política legalizada.
3- Reforma da previdência de Temer ou Paulo Guedes– ainda existem questionamentos sobre o teor da proposta a ser defendida pelo presidente eleito, se será uma versão mais “branda”; como a de Temer ou ainda mais ofensiva como a de Paulo Guedes, mas não há dúvidas que trata-se de um desmonte do maior colchão social brasileiro que garante sustento e dignidade de milhões de brasileiros.

Aqui está o centro da primeira onda da resistência democrática: garantir o direito de luta sem prisão política, o direito ao debate político nas escolas e faculdades e a sobrevivência da nossa previdência social. Entretanto, para isso é fundamental concentrar forças e ganhar o povo brasileiro eleitores ou não do Bolsonaro para o enfrentamento independente de suas posições acerca de outros temas.

Notas de rodapé:
– Não vale a pena comprar o debate do “ministro Moro”; quem defende a lava jato está extremamente feliz com a sua indicação além de ser absolutamente periférica frente as lutas em pauta.
-A polêmica se vamos ter ou não ministério do meio ambiente, da indústria, da cultura etc. pode até interessar os setores que estiveram em nosso lado ,,mas não serão determinantes para as primeiras batalhas.
-Nota de pesar pela Controladoria Geral da União que nasceu como órgão auxiliar de defesa do patrimônio público, ganhou relevância nos governos petistas, virou o MINITRÁFICO (ministério da transparência fiscalização e controle) no governo Temer perdendo independência e agora será rebaixado a alguma subsecretaria sob a tutela de Sergio Moro.

 

*Hugo Cavalcante é Presidente do PCdoB de Maceió, membro do Comitê Estadual e da Comissão Política do PCdoB de Alagoas

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