Lindinaldo Freitas: Novos desafios do governo Renan Filho

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Foto: Repórter Alagoas

Com uma das maiores votações do país, 77,30% dos votos, Renan Filho foi reeleito governador de Alagoas pelo MDB, em uma ampla aliança, com forças heterogêneas e com a presença de organizações de esquerda como o PT, PDT e PCdoB.

O expressivo resultado obtido se deve principalmente por dois importantes fatores: a ampla frente política que o governador foi capaz de unir e o trabalho desenvolvido em seu primeiro mandato, bem avaliado e com consequências reais na vida da população alagoana.

O êxito fiscal do Estado foi fundamental durante esse período, ele foi marcado por uma política fiscal voltada a dotar o governo de capacidade de investimento e cumprimento de suas obrigações, colocando o equilíbrio das contas públicas como um instrumento e não como um fim em si.

O governo atuou como um agente consciente, voltado para o desenvolvimento econômico e social. A realização de diversas obras de infraestrutura e investimentos com recursos próprios, representaram uma quebra de paradigma em um estado dependente de recursos federais.

Os investimentos e ações do governo estiveram ainda voltados para a melhoria dos serviços públicos, como a construção de hospitais de forma descentralizada no estado. Bem como, o combate ? s desigualdades sociais, a exemplo do programa Vida Nova nas Grotas, que congrega todas as Secretarias de Estado na promoção de acessibilidade, mobilidade urbana, inclusão social, desenvolvimento econômico, saúde e educação nas grotas e periferias de Maceió.

Esses avanços ocorreram em um período de grave crise política e econômica no país, o que criou ainda mais dificuldades e os tornam merecedores do devido reconhecimento. Entretanto, nos próximos anos não há perspectivas de significativa melhora na realidade política e econômica no Brasil.

O governo de Jair Bolsonaro, ainda que consiga criar um ambiente de maior estabilidade política, implementará uma política econômica liberal, não no sentido de reduzir o Estado em áreas desnecessárias ou de acabar os privilégios de determinadas corporações, mas no sentido mais cruel que tal política pode alcançar na vida das pessoas e da nação.

O que está no horizonte é a redução da capacidade estratégica que o Estado possui ao estimular o desenvolvimento econômico e social do país, além da perda de noção de solidariedade e da redução das desigualdades sociais.

Tal política afetará Alagoas, por ser um estado ainda necessitado de investimentos e recursos federais. Os caminhos do crescimento econômico do estado, passam por obras e projetos estratégicos que dificilmente serão executados sem o apoio do governo federal. As transferências de recursos via previdência social e programas sociais, impactam demasiadamente na realidade econômica local, sendo forte indutor do consumo e incluem parcela significativa da população alagoana.

O segundo mandato do governador Renan Filho enfrentará esses desafios. Terá que encontrar caminhos e respostas novas para manter o rumo trilhado em seu primeiro mandato. Na medida em que o governo federal se ausentar, aumentará a necessidade do estado fazer mais, para não abandonar os alagoanos ao desemprego, a volta do crescimento da violência e da pobreza.

Lindinaldo Freitas
Lindinaldo Freitas
Estudante de economia, ex-diretor da Ubes, ex-presidente da UJS Alagoas, atual presidente do PCdoB de Alagoas.

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