Eduardo Bomfim: Razões de Estado e Capital

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O decano dos jornalistas norte-americanos, Gay Talese, afirmou: “o politicamente correto é tão opressivo e tão ditatorial… é a ideia da (falsa) virtude. E a pior coisa do mundo é a (falsa) virtude. É a justiça desses novos crentes. Caso contrário és um infiel, e deve-se matar o infiel. E tem que se seguir um certo código de conduta e ter uma atitude ortodoxa, sem poder desviar um mínimo”.

Dias atrás um dos veículos online da grande mídia publicou: às vezes uma fake news, notícia falsa, é incontornável, mesmo que contrarie o fato real. Ou seja, às vezes, é melhor a mentira que a verdade.

Que isso tenha se tornado uma rotina na mídia global é algo óbvio, mas que tenha adquirido conceito normativo é a Pós-verdade, a Pós-História.

Mas não se deve ficar surpreso com tais afirmações, elas representam hoje as razões de certos Estados nações, combinadas com as do Grande Capital, do rentismo predador.

Em certo sentido o Politicamente Correto é sucedâneo das formulações na Guerra Fria, mesmo que diferente dos argumentos utilizados durante aquele período.

Mas ele tem a função de substituir um certo vazio deixado pela chamada Guerra Ideológica da época, arregimentando ativistas de setores médios em função de certas causas, como no politicamente correto, com vistas a preencher um deserto de ideologias que foram determinantes entre 1945 e 1989, no século XX.

O professor Viriato Soromenho Marques da universidade de Lisboa diz que Charles de Gaulle, líder da resistência na 2a Guerra Mundial e presidente francês, afirmou que a Guerra Fria, inclusive a ideológica, só podia ser entendida considerando os interesses de Estado da ex-URSS e dos EUA à época.

E que para tanto, afirma Viriato, é necessário entender as teses de Carl von Clausewitz em seu clássico Da Guerra, cuja essência está em quatro formulações:
1- Os sujeitos da guerra moderna são os Estados dotados de interesses potencialmente idênticos. 2- A guerra é a continuação da política por outros meios. 3- O objetivo da guerra é a vitória que se atinge quando se impõe a nossa vontade política ao inimigo. 4- A vitória implica, geralmente, a destruição militar do inimigo.

Os conceitos de Clausewitz continuam atuais, embora o mundo tenha mudado, até porque a Guerra Fria adquiriu hoje as novas formas da Guerra Híbrida.

Eduardo Bomfim
Eduardo Bomfim
Alagoano de Maceió, advogado, foi Deputado Estadual de Alagoas (83-86), Deputado Federal Constituinte (87-91), Vereador de Maceió (93-96 e 99). Desenvolveu funções de governo como Secretário de Cultura na Prefeitura de Maceió (97-98 e 2009-2010) e no Governo de Alagoas (2003 e 2005-2006), foi Secretário Adjunto da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República do Brasil (2004-2005). É dirigente histórico do Partido Comunista do Brasil.

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